30 Outubro 2006

Observatório das práticas bibliotecárias II

Há um consenso em torno da relatividade de uma pena, de que seu peso punitivo respeite à propocionalidade dos fatores que a contextualizam.

Como há uma regra praticada pelos[as] bibliotecários[as] brasileiras[os], quase geral, de que o sujeito que atrasa a devolução do livro à biblioteca deve ser tratado como bandido, que ao menos a punição seja proporcional à circulação do livro e ao seu custo! É o mínimo que se espera de uma punição não tão injusta.

A prática bibliotecária em geral, em particular nas bibliotecas universitárias, é a de que o atraso na devolução de um livro, mesmo que ele esteja há meses ou anos sem uso e sem procura, deve ser punido com o máximo rigor da multa financeira.

O triste é ver que, além de se cobrar indiscriminadamente, independente do uso ou não uso do livro, cobra-se o mesmo valor por dia de atraso, independentemente de o custo do livro no mercado livreiro ser de R$ 20 (vinte reais) ou de R$ 120 Reais (cento e vinte reais). Isso faz com que, porporcionalmente, a punição para o devedor do livro de vinte reais seja seis vezes maior que a do devedor do livro de cento e vinte reais.

Há bibliotecários[as] a quem a consciência parece não doer ao fazer práticas desse tipo. Pergunta: onde está a boa ética do bibliotecário no trato com o seu usuário?

26 Outubro 2006

Observatório das práticas bibliotecárias I

Em algumas bibliotecas, a central universitária da UFSC, por exemplo, se tem a sensação, como usuário, de que para a sua equipe profissional a figura do usuário não tem muita importância.

Para começo de conversa, a Biblioteca Central da UFSC, fecha diariamente seu expediente para o público às 21 horas.

Ocorre que se trata da Biblioteca de uma universidade estatal de uma universidade federal sobre a qual a sua reitoria afirma ser, não apenas pública, mas de qualidade.

Como dá para dizer que é de qualidade, se há muitos cursos que funcionam no turno da noite nos quais, na maioria dos casos, boa parte dos estudantes não chega para as aulas senão após o seu início, isto é, às 18:30 h e não podem ir a essa Biblioteca em outro horário a não ser fugindo das aulas? Fugir das aulas para ir à biblioteca estudar pode até ser interessante, mas fugir para resolver coisas de expediente como pegar e devolver livros é, no mínimo, uma violência pedagógica.

Outra coisa, nesta mesma universidade dita de qualidade, onde a equipe profissional da biblioteca se vê como autobastante, funciona à noite um Curso de Graduação em Biblioteconomia. Da biblioteca, portanto, se esperaria exemplos de boas práticas de atenção ao usuário e de boa prestação de serviços.

Algumas disciplinas do Curso eram ali ofertadas, mas estão deixando de sê-lo. Embora a biblioteca pudesse ser um laboratório básico para o Curso de Biblioteconomia, pelas coleções de que dispõe, não se dá a esse uso.

Como o Curso de Biblioteconomia tem seu horário de aulas até às 22:00 h., a equipe da biblioteca ao desencorajar a permanência de seus usuários de modo a que seus membros possam se liberar em torno das 21:00 h. faz com que as disciplinas do Curso de Biblioteconomia, que dela dependeriam, deixem de utilizá-la, voltando-se para aulas mais teóricas que práticas. Onde está então a qualidade que a reitoria apregoa?

De mais a mais, os alunos e professores dos Cursos Norturnos da UFSC, cursos já precarizados por tantas outras razões, têm ficado reféns, em seu ensino-aprendizagem, do humor de um comportamento burocrático atrasado da instituição.

Afinal, se em uma universidade, um órgão de apoio básico como a sua biblioteca central assim funciona é porque a sua reitoria atribui um valor "especial" para a biblioteca e oferece um gesto muito claro de desrespeito a alunos e professores dos Cursos noturnos.

Tanto esse valor "especial", que representa uma postura inaceitável, autoritária e que humilha a sociedade, quanto esse desrespeito a alunos e professores que a equipe biblioteca parece ter assumido, não retorna em imagem positiva para os bibliotecários e demais servidores da BU/UFSC.

24 Outubro 2006

Observatório das práticas bibliotecárias

É, de fato, muito interessante se observar o comportamento profissional dos bibliotecários com relação às suas práticas profissionais. Essas, por todo o sempre e na maior parte do tempo ainda hoje, são exercidas como se bibliotecários fossem meros guardiães de coleções e de bens materiais contidos nos ambientes em que trabalham, embora digam-se a serviço dos usuários.

Do jeito como historicamente trabalham parecem mais almoxarifes do livro, ou CD, ou atualmente dos microcomputadores do que profissionais que se dizem fazer a função de mediadores de informação.

Se fizermos uma mínima comparação com os jornalistas e outros midiáticos, também profissionais que lidam com a informação e que, com seu trabalho, estão a serviço do leitor, ouvinte ou espectador, isto é de usuários, estes, em comparação com os bibliotecários, parecem não ter compromisso com guardar as máquinas e demais itens do almoxarifado da empresa jornalistica e de mídia em geral.

Nesse sentido, estão na praça "sites" com a missão explicita de atuar como OBSERVADORES da imprensa, MONITORES da imprensa, isto é, analisando e fazendo a crítica das práticas dos profissionais jornalistas e midiáticos e das empresas de midia e da imprensa em geral.Em contraposição, na Biblioteconomia, ao menos no ambiente próximo, nada se encontra de equivalente.

Dai dá para penso ou para intuir três possibilidades:

1 - todos os bibliotecários têm a convicção de que estão fazendo tudo certo e oferecendo tudo, o tempo inteiro, sem nada faltar, a todos os seus usuários;

2 - todos os bibliotecários, têm como conduta e prática consciente, a auto-censura, pois mesmo quando eles (elas) falham em algum ponto de sua missão podem justificar para si mesmos de que mais não fizeram porque não lhes foram oferecidas todas as condições de trabalho;

3 - todos os bibliotecários têm como certo que quaisquer reclamações ou demandas insatisfeitas não constituem problema do seu exercício profissional e se o usuário final reclamar é porque não reconhece seu esforço de bibliotecário ou é mal agradecido.

É isso mesmo?

23 Outubro 2006

Quanto vale o voto no presidente ou no Governador?

Você já fez esta pergunta a você ou a alguém com quem dialoga sempre?
Pois bem, a resposta é bem difícil ou muito banal.
Para mim, a resposta parece banal mas está cheia de dificuldade, pela complexidade que embute, pois tenho comigo a idéia de que o meu voto vale o futuro. E o futuro é o lugar onde estão todos os sonhos e idealizações para o bem... É no futuro que estarão minhas conquistas que ainda não obtive... No futuro estão o que espero de bom...
Então, em 29 de outubro, mais do que num nome estamos votando em um projeto para o Brasil. Dos dois projetos em disputa um há de ser o que menos distanciará o que hoje antevejo como o futuro que quero como brasileiro.

16 Outubro 2006

Voto e informação

Todo e qualquer eleitor ao escolher, dentre os candidatos que se apresentam em dado pleito politico, o seu preferido o faz com base em informações. Isso é fato! O que nos diferencia como eleitores são: as nossas fontes de informação, as organizações que as colocam à nossa disposição, a facilidade de chegar a essas organizações, a equidistância dessas organizações em relação aos candidatos, .... Além disso, também interferem no voto: o nosso discernimento, a capacidade de analisar informações complexas, a capacidade de comparar informações sobre um mesmo tema tratadas por organizações diferentes, ...
Por tudo isso, é que precisamos de mais educação de qualidade e de muitíssimas bibliotecas públicas, ao menos uma em cada bairro.

08 Outubro 2006

Bibliotecários de luta !!

Vale uma visita!
O sítio http://www.gesbi.com.ar é a porta de entrada, na internet, do Grupo de Estudios Sociales en Bibliotecologia y Documentación (GESBI), que atua ativamente na Argentina.

06 Outubro 2006

Professores de Biblioteconomia/CI se reúnem em novembro!!

De 22 a 24 de novembro de 2006, acontecerá o VII EDIBCIC - Encuentro Asociación de Educadores e Investigadores de Bibliotecología, Archivología, Ciencias de la Información y Documentación de Iberoamérica y el Caribe, no Centro de Convenções do Sun Valley Park Hotel de Marília - São Paulo - Brasil.

Na oportunidade será debatido o tema: "A Dimensão Epistemológica das Ciências da Informação e Documentação e seu Impacto no Ensino e na Pesquisa em Biblioteconomia e em Arquivologia".

O evento conta com promoção da Asociación de Educadores e Investigadores de Bibliotecología, Archivología, Ciencias de la Información y Documentación de Iberoamérica y el Caribe e será realizado pelo Departamento de Ciência da Informação e Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP-Marília-SP.

Informações mais detalhadas sobre as atividades podem ser visualizadas no site: http://www.edibcic.org/VIIEDIBCIC2.htm

05 Outubro 2006

Ciência da Informação se reúne

Será na cidade de Marília, São Paulo, o VII ENANCIB - Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação.

De 19 a 22 de novembro de 2006, no Centro de Convenções Sun Valley Park do HotelMarília - São Paulo - Brasil, pesquisadores e pesquisadoras do Brasil e do exterior, atuantes no campo da Ciência da Informação, estarão discutindo achados e compreensões dos fenômenos que envolvem e criam esta Ciência.

Esta edição do ENANCIB está sendo promovida por:
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (ANCIB) e realizada peloPrograma de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UNESP de Marília.

Informações mais detalhadas do evento podem ser obtidas no site: http://www.portalppgci.marilia.unesp.br/enancib/index.php

04 Outubro 2006

Telecentro, sim .... mas....

Uma tendência que vem se fortalecendo nos últimos três a quatro anos no Brasil é a da expansão lenta dos famigerados Telecentros. Muitos estão sendo formados por equipamentos de refugo de grandes empresas, principalmente do setor govenamental, como Banco do Brasil, Caixa Econômica, Petrobrás etc.
A título de criar condições para a superação da exclusão da informação ou de engajamento em uma política de responsabilidade social, encontraram uma forma a mais de "enrolar" a quem queira.
Uma das justificativas é de que com o telecentro se forma uma base melhor para a aquisição do sentimento de cidadania. Deve-se concordar em parte com isso, afinal, a eleição presidencial de 1/10 já mostrou que o povo nem sempre é o bobo que os governantes desejam.
Mas deve-se questionar uma idéia que corre na cabeça de muita gente dos governos locais, de que uma vez tendo Telecentro não será mais necessária a Biblioteca Pública municipal. Isso é inaceitável, cada coisa é uma coisa, mas a existência das duas é imprescindível.

02 Outubro 2006

Para que serve o voto?

O instrumento de escolha popular - voto - se presta a uma voluntariosa forma de dizer não, ou ao menos, não por agora! Foi por meio deste exercício que o povo brasileiro disse ao Presidente Lula neste primeiro de outubro: meu caro, tenha calma, se exponha mais, debata! Voltaremos às urnas no próximo dia 29/10.